A Única Esperança


5. Esperança de conselho

Era comprido e estreito o caminho por onde Sandra, a jovem médica da comunidade, transitava como parte de sua rotina diária. Naqueles fins de tarde, ora chuvosos e tristes, ora secos e frios, Sandra se movia,mochila no ombro, cantarolando os cânticos que vinha aprendendo no grupo de estudo do qual participava.

Nas últimas semanas, a bela médica parecia outra pessoa. Um ano antes, ela chegara àquele grupo, fugindo das pessoas depois de ser abandonada pelo noivo, na porta da igreja. Ela queria esquecer esse capítulo de sua vida. À noite, porém, as lembranças com rosto de abutres feios se aproximavam dela perturbando o desejo de um novo amanhecer. Bem que ela se esforçava para espantar aquelas aves malignas, mas elas arranhavam seu mundo interior sem piedade.

No entanto, conhecera um grupo de pessoas que estudava a Bíblia e, repentinamente, seus olhos se abriram para verdades que ignorava. À medida que adentrava na beleza do evangelho, via os abutres voarem para longe, apavorados.

– Como pude ter vivido tanto tempo sem saber dessas coisas? – perguntou com timidez em uma daquelas noites.

– Não se culpe por isso – alguém lhe respondeu. – Existem tantas pessoas no mundo que nem sequer conhecem a Bíblia.

– Essas verdades são maravilhosas e não podem permanecer escondidas – Sandra se lamentava.

– Não estão escondidas – respondeu o líder do grupo. – O problema é que as pessoas não lhes dão importância nem prestam atenção. Mas a mensagem está à disposição de todo aquele que tem interesse em saber.

Naquela tarde, enquanto deixava para trás o longo caminho de volta para casa, Sandra pensava na reunião da noite. O tema anunciado era: “Existem profetas em nossos dias?” Ela não acreditava que Deus pudesse levantar um profeta moderno.

– Falaremos hoje do dom de profecia – começou afirmando Gerson. Ele dirigia o grupo de estudo da Bíblia.

Havia umas 12 pessoas com a Bíblia aberta nas mãos. A maioria delas, como Sandra, começava a estudar o livro sagrado. Gerson continuou:

– Vejam o que Paulo escreveu um dia: “A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. [...] E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso. Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; e a outro, no mesmo Espírito, a fé; a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las” (1 Coríntios 12:1, 6-10). O apóstolo diz que Deus entregou dons à Sua igreja para edificá-la.

– O dom de profecia é um desses dons? – perguntou um professor da escola primária da comunidade.

– Sim, e a Bíblia ensina que o espírito de profecia é uma das características da igreja nos dias finais.

– Onde diz isso?

– Aqui em Apocalipse: “Irou-se o dragão contra a mulher e foi pelejar com os restantes da sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Apocalipse 12:17). O dragão é o diabo (Apocalipse 12:9), e a mulher é símbolo da igreja de Deus (Gênesis 3:15). O inimigo tenta destruir a igreja, mas ela conserva o testemunho de Jesus.

– Mas ali não se menciona o espírito de profecia.

– Tem razão, aqui se fala do testemunho de Jesus. Porém, veja o que diz João: “Prostrei-me ante os seus pés para adorá-lo. Ele, porém, me disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia” (Apocalipse 19:10).

– Mas o que é o espírito da profecia?

O espírito da profecia é o dom de profecia manifestado na igreja de Deus. De acordo com essa declaração, pode haver pessoas que recebem o dom de profecia em nossos dias.

– Pode?

– Sim, pode, mas a pessoa que recebe esse dom não é um profeta que anuncia, necessariamente, coisas futuras. Para entender isso precisamos pensar em João Batista. A Bíblia declara a respeito dele o seguinte: “Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor, preparando-Lhe os caminhos” (Lucas 1:76).

– João Batista era profeta?

– Sim. Ele tinha recebido o dom de profecia. Além disso, Jesus disse que de todos os nascidos de mulher nenhum outro profeta se levantou maior do que João. Quer dizer, Jesus compara João com Isaías, Jeremias, Ezequiel e outros profetas e diz que nenhum deles foi tão grande como João.

– Mas João não escreveu nenhum livro ou capítulo da Bíblia – afirmou um jovem loiro, sempre atento às explicações. Depois olhou para os outros com timidez e perguntou:

– Quer dizer que para ser profeta não é necessário predizer coisas futuras?

– Não necessariamente. E tem mais. A palavra hebraica traduzida como “profeta” no Antigo Testamento é nabi, que literalmente significa alguém que é chamado por Deus para uma missão especial.

– Que missão?

– A missão de falar em nome de Deus. O trabalho do profeta consiste em ensinar, advertir, admoestar e anunciar eventos posteriores. Tem que ver, portanto, com passado, presente e futuro. Nem sempre essas três coisas aparecem juntas em um mesmo ministério profético. Pode ser apenas uma delas, ou podem ser todas juntas. Não há diferença.

– Que interessante! – Sandra comentou.

– Esse conceito fica mais claro ao analisar a palavra grega que se usa no Novo Testamento para se referir ao profeta. A palavra é prophetes, que temduas raízes: a preposição pro, que significa “por”, e o verbo phemi, que significa “falar”. A tradução literal dessa palavra é “falar por” ou “falar em nome de”. O profeta fala em nome de Deus.

– Pode nos dar um exemplo do que está dizendo? – perguntou Sandra.

– Posso sim. Pensemos no chamado de Moisés para tirar o povo de Israel do Egito. A história está no livro de Êxodo, no capítulo 4. Moisés disse que era um homem pesado de língua e que tinha medo de falar. Então Deus lhe disse que enviaria Arão com ele para que fosse a sua voz: “Tu, pois, lhe falarás e lhe porás na boca as palavras; Eu serei com a tua boca e com a dele e vos ensinarei o que deveis fazer. Ele falará por ti ao povo; ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus” (Êxodo 4:15, 16). Em outras palavras, enquanto Moisés era o profeta de Deus, Arão seria o profeta de Moisés. Esse é o sentido bíblico para profeta. O trabalho principal do profeta não é predizer o futuro, mas guiar, ensinar e aconselhar o povo de Deus.

– Quer dizer que hoje também existem profetas? – perguntou Sandra.

Gerson a olhou. Tirou os óculos de leitura que usava e disse:

– Sim, e a sua função não é necessariamente anunciar eventos futuros. Veja o que afirma este versículo: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (1 João 4:1). Aqui diz que hoje existem muitos falsos profetas. Ora, se existem profetas falsos, é porque existe pelo menos um profeta verdadeiro.

– E como podemos identificar o profeta verdadeiro? – inquiriu o jovem loiro.

– A própria Escritura apresenta as caraterísticas do profeta autêntico.

– Quais são?

– A primeira é a seguinte: “Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus” (1 João 4:2).

– O que significa isso?

– João afirma que uma das características do profeta verdadeiro é a sua mensagem. Se ele declarar que Jesus é Deus, um com o Pai e com o Espírito, trata-se de um profeta verdadeiro.

– Existe alguém que ache que Cristo não é Deus? – perguntou Sandra.

– Por incrível que pareça, sim. Mas em nossos estudos já vimos que “no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dEle, e, sem Ele, nada do que foi feito se fez. [...] E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai” (João 1:1-3, 14).

– Então, se alguém diz ser profeta, mas não ensinar que Jesus é Deus encarnado, isso é evidência de que não é verdadeiro?

– Isso mesmo. Mas essa não é a única prova. Existe mais outra: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus” (Mateus 7:15-17).

– Frutos?

– Sim, frutos. Ou seja, quais são os resultados da obra desse pretenso profeta? Por onde ele passa, deixa uma mensagem de unidade e compromisso com Cristo, com a igreja e com a missão? Ou, depois que ele vai embora, fica uma igreja desunida, revoltada e cheia do espírito de crítica? Se o profeta for verdadeiro, seus frutos serão bons; do contrário, aquela pessoa não foi enviada por Deus.

O grupo permanecia atento às explicações de Gerson. O líder lia a Bíblia para apoiar suas declarações. Ele gostava de afirmar que a Bíblia se explica sozinha.

– Observem mais uma característica do profeta verdadeiro. Leiam comigo: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva” (Isaías 8:20).

– De que lei fala Isaías?

– A lei naqueles tempos se referia à Torá, ou seja, os cinco primeiros livros da Bíblia. Trazendo a ideia para nossos dias, este verso diz que uma das características do profeta verdadeiro é apresentar seus ensinamentos de acordo com as afirmações da Palavra de Deus. Nenhum profeta verdadeiro pode contradizer o que a Bíblia ensina.

Sandra parecia satisfeita, mas perguntou:

– E no caso de um profeta anunciar coisas vindouras?

– Deixemos que Moisés responda. Ele diz: “Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as Minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que Eu lhe ordenar. De todo aquele que não ouvir as Minhas palavras, que ele falar em Meu nome, disso lhe pedirei contas. Porém o profeta que presumir de falar alguma palavra em Meu nome, que Eu lhe não mandei falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta será morto. Se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o Senhor não falou? Sabe que, quando esse profeta falar em nome do Senhor, e a palavra dele se não cumprir, nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o Senhor não disse; com soberba, a falou o tal profeta; não tenhas temor dele” (Deuteronômio 18:18-22).

– Se o cumprimento das profecias é uma característica do profeta verdadeiro, poderia Nostradamus ser um deles? – perguntou o professor primário da comunidade.

– Se essa fosse a única caraterística, poderia até ser, mas e as outras? Darei um exemplo. Uma das caraterísticas do ser humano é ter pés. Uma mesa pode ser considerada um ser humano pelo fato de ter pés?

Todos riram com o exemplo engraçado. Gerson tinha a capacidade de tornar fáceis as coisas aparentemente complicadas. Porém, Sandra desejava conhecer mais e perguntou:

– Um profeta precisa ser uma pessoa perfeita, não precisa?

– Consideremos a vida de alguns profetas. O primeiro profeta que a Bíblia menciona é Abraão. Ele era um patriarca, o guia espiritual de sua família e de seu povo. Abraão chegou um dia na terra de Gerar, e Abimeleque, o rei daquela terra, vendo que Sara, a esposa de Abraão, era bonita, quis tomá-la como esposa. O patriarca, temeroso de ser expulso daquela terra, disse que Sara era sua irmã.

– Que mentira! – disse Sandra, levando a mão à boca.

– Efetivamente, Abraão estava mentindo, e quase levou Abimeleque e Sara a pecarem. No entanto, nessa noite Deus Se apresentou ao rei e lhe disse: “Agora, pois, restitui a mulher a seu marido, pois ele é profeta e intercederá por ti, e viverás; se, porém, não lha restituíres, sabe que certamente morrerás, tu e tudo o que é teu” (Gênesis 20:7).

– Quer dizer que Abraão era profeta?

– Sim. Essa é a primeira vez que se menciona um profeta na Bíblia. E ele aparece aqui numa situação deprimente, mentindo e quase levando a esposa a pecar com o rei. No entanto, Deus o chama de profeta. A lição que tiramos desse incidente é que, apesar dos erros e falhas humanas, uma pessoa chamada por Deus pode ser um profeta.

– Então Abraão não era perfeito.

– Não. Um profeta bíblico não é alguém imune a erros. Ele apenas crê em Deus e depende dEle para caminhar na vida espiritual.

– Eu ouvi dizer que Moisés foi o primeiro profeta da Bíblia – afirmou uma senhora de óculos, muito concentrada em tudo o que se ensinava.

– Moisés foi o primeiro profeta em Israel – respondeu Gerson. – A Bíblia diz: “Nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, com quem o Senhor houvesse tratado face a face” (Deuteronômio 34:10). Esse verso define a experiência espiritual desse homem. Moisés sempre buscou a Deus. Nas horas mais difíceis procurou sabedoria do Senhor. E Deus nunca lhe falhou. Mas isso também não significa que ele não tivesse momentos difíceis. Era humano e, apesar da extraordinária experiência que tinha com Deus, sua natureza pecaminosa o surpreendia às vezes.

– Mas houve muitos outros profetas – afirmou Sandra.

– Claro que houve. Depois da morte de Moisés, Deus dirigiu Seu povo por intermédio do ministério de vários profetas. Esses homens vinham dos lugares mais incríveis e com formações completamente diferentes. Entre eles havia sacerdotes como Ezequiel e Jeremias. Isaías e Sofonias tinham sangue real. Samuel era um juiz. Daniel foi primeiro-ministro de Babilônia. Oseias era um camponês.

– Extraordinário.

– Alguns deles escreveram livros, outros anunciaram eventos futuros, pregaram, aconselharam reis e condenaram pecadores. Todos eles cumpriram a missão de ser mensageiros e guias do povo de Deus. Foram homens santos, no sentido de procurarem uma experiência de comunhão com Deus, mas ao mesmo tempo humanos, como qualquer um de nós.

– Eu sempre achei que um profeta fosse imune a erros e faltas.

– Muitos creem assim, mas a Bíblia não ensina isso. De Elias, por exemplo, Tiago diz: “Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmossentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu. E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos” (Tiago 5:17, 18). Ou seja, os profetas eram homens consagrados a Deus; no entanto, continuaram sendo seres humanos.

– E nunca houve profetisas? – indagou Sandra.

– Houve sim. Mencionarei apenas três delas. A primeira é Miriã. A Bíblia a apresenta da seguinte maneira: “A profetisa Miriã, irmã de Arão, tomou um tamborim, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamborins e com danças. E Miriã lhes respondia: Cantai ao Senhor, porque gloriosamente triunfou e precipitou no mar o cavalo e o seu cavaleiro” (Êxodo 15:20, 21). Pelo contexto histórico, entendemos que ela era uma líder entre as mulheres de seu tempo e dirigia o coral das mulheres, mas, infelizmente, em sua vida há um incidente triste. Ela teve ciúme de seu irmão Moisés. Miriã o criticou injustamente e, como consequência, ficou leprosa. Ela se arrependeu, foi perdoada e curada, tornando-se uma mulher valiosa para Israel.

– Quem é a segunda mulher?

– Débora. A Bíblia relata o seguinte: “Débora, profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo. Ela atendia debaixo da palmeira de Débora, entre Ramá e Betel, na região montanhosa de Efraim; e os filhos de Israel subiam a ela a juízo” (Juízes 4:4, 5). Débora foi uma juíza com autoridade política e espiritual num tempo em que isso não era muito comum. O tempo dos juízes era um tempo de decadência espiritual. Como é bom saber que, em meio a uma crise de liderança, Deus levantou uma mulher para guiar o povo de Israel!

– E a terceira?

– Foi Hulda, conselheira do rei Josias. Um fato interessante é que enquanto Hulda desenvolvia o seu ministério, os profetas Jeremias e Sofonias ainda viviam, e Josias preferiu consultar Hulda. Sem dúvida, o rei respeitava muito o ministério profético dessa mulher.

– É verdade que a Igreja Adventista também tem uma profetisa?

– Obrigado por fazer essa pergunta. Existem muitas pessoas que confundem o lugar de Ellen White dentro da Igreja Adventista. Ela nasceu em Gorham, estado de Maine, nos Estados Unidos, em 26 de novembro de 1827.Ela e a sua irmã gêmea eram as caçulas de uma família de oito filhos. A sua educação formal foi interrompida quando tinha apenas 9 anos, por causa de um acidente que quase lhe custou a vida.

– Mas ela foi profetisa ou não?

– Nós cremos que ela foi uma mulher inspirada. Todas as provas bíblicas de um profeta autêntico foram aplicadas a ela. Podemos, então, afirmar que ela foi uma mulher escolhida por Deus para aconselhar Sua igreja.

– Mas eu já ouvi dizer que os adventistas são seguidores dela.

– A Igreja Adventista segue o princípio de Sola Escriptura, ou seja, nós seguimos a Bíblia e somente a Bíblia. Nenhuma doutrina adventista foi tirada dos escritos de Ellen White. Se ela não tivesse existido, a igreja teria as mesmas 28 crenças fundamentais que tem.

– Mas, então, o que nos pode dizer a respeito dela?

– Durante 70 anos, ela apresentou mensagens que Deus lhe confiou. Jamais foi eleita para alguma função administrativa, mas os líderes sempre prestaram atenção a seus conselhos. Suas mensagens tiveram como resultado o amplo sistema educacional e médico da igreja. Embora ela nunca fizesse nenhum curso na área de saúde, os resultados de seu ministério são notáveis na rede de hospitais adventistas em todo o mundo.

– E seus livros?

– Ela foi uma grande escritora. Desde 1851, quando publicou seu primeiro livro, produziu uma enorme quantidade de artigos, folhetos e livros. Alguns livros são de natureza devocional, enquanto outros foram compostos a partir de cartas pessoais que ela escreveu ao longo dos anos. Alguns livros têm uma perspectiva histórica e tratam do conflito entre Cristo e Satanás pelo controle das nações e dos indivíduos. Ela também escreveu livros sobre educação, saúde e outros assuntos de importância para a igreja e para sociedade. Depois da sua morte, foram compilados e publicados mais de 70 livros. Seu livro Caminho a Cristo foi traduzido para cerca de 150 idiomas, o que a transforma na escritora mais traduzida.

– Mas ela foi ou não foi uma profetisa?

– Foi sim. No sentido bíblico de um profeta. Foi uma mensageira divina. Todos os seus ensinamentos estão de acordo com a Palavra de Deus. Ela não tirou e nem acrescentou nada das Escrituras Sagradas.

A hora havia avançado bastante quando o grupo orou, e cada um voltou para casa. Sandra caminhou silenciosa, pensando em tudo que tinha ouvido. Entrou no quarto e se dirigiu à mesinha onde guardava um livro chamado A Ciência do Bom Viver. Ela olhou a capa e sorriu, pois a autora era Ellen White. Abriu o livro com cuidado e leu o seguinte parágrafo: “Não foi porque nós O amássemos primeiro que Cristo nos amou; mas, ‘sendo nós ainda pecadores’ (Romanos 5:8), Ele morreu por nós. Não nos trata segundo os nossos merecimentos. Embora nossos pecados mereçam condenação, Ele não nos condena. Ano após ano, tem lidado com a nossa fraqueza e ignorância, com nossa ingratidão e extravios. Apesar desses desvios, nossa dureza de coração, nossa negligência de Sua santa Palavra, Sua mão ainda se acha estendida para nós. A graça é um atributo de Deus, exercido para com as indignas criaturas humanas. Não a buscamos, porém ela foi enviada a procurar-nos. Deus Se regozija de conceder-nos Sua graça, não porque somos dignos, mas porque somos tão completamente indignos. Nosso único direito à Sua misericórdia é nossa grande necessidade. O Senhor Deus, por intermédio de Jesus Cristo, estende o dia todo a mão num convite aos pecadores e caídos. A todos receberá. Dá as boas-vindas a todos. É Sua glória perdoar ao maior dos pecadores. Ele tomará a presa ao valente, libertará o cativo, tirará do fogo o tição. Baixará a áurea cadeia de Sua misericórdia às mais baixas profundezas da ruína humana, e erguerá a degradada alma, contaminada pelo pecado” (A Ciência do Bom Viver, p. 161).

Sandra se comoveu. Aquele parágrafo era inspirado por Deus e a fazia sentir segura. Ela tinha chegado àquela cidade do interior fugindo de um incidente doloroso, mas naquela comunidade encontrara o amor consolador de Deus.

Sandra descobriu a única esperança.

Esperança DE CONSELHO

Saiba como identificar o profeta verdadeiro escolhido por Deus.
  1. Deus revelou Seus “segredos” a Seus servos, os profetas. Amós 3:7
  2. Jesus nos alertou sobre os falsos profetas. Mateus 7:15; 24:11
  3. O verdadeiro dom de profecia acompanharia o povo de Deus no tempo do fim. Apocalipse 12:17; 19:10
  4. O conteúdo das profecias precisa ser avaliado pela Palavra de Deus. 1 João 4:1
  5. A mensagem do profeta autêntico não contradiz as Escrituras. Jeremias 28:1-9, 15-17
  6. O verdadeiro profeta aceita e ensina a encarnação de Jesus. 1 João 4:2
  7. O profeta de Deus produz bons frutos. Mateus 7:15-23
  8. O profeta verdadeiro vive de acordo com a Bíblia e a lei de Deus. Isaías 8:19, 20
  9. As profecias do profeta verdadeiro devem se cumprir. Deuteronômio 18:21, 22
  10. Deus nos convida a seguir as orientações dos profetas. Provérbios 29:18; 2 Crônicas 20:20