A Única Esperança


10. Caminho de esperança

Renan é coronel da polícia militar, formado nos rigores da disciplina da corporação. Luta por suas convicções com unhas e dentes e é sincero. Defende suas ideias com bravura e honra da mesma forma que defenderia as cores da pátria.

Naquele dia, no entanto, Renan estava aflito. Havia quatro meses estudava a Bíblia e descobrira verdades que abalaram sua estrutura. No início dos estudos, discutia muito e interrompia constantemente a exposição do professor no pequeno grupo do qual participava. Mas não conseguia lutar contra as evidências e aceitou a Bíblia como a Palavra de Deus. A partir de então, ele passou a assimilar novos conceitos, desde que fossem fundamentados nas Escrituras.

Atualmente, o grupo de estudos reúne-se na casa de um vizinho que tem uma banca no mercado de frutas. Todas as terças-feiras, reúnem-se ali três famílias: ele, a esposa e os dois filhos maiores, a família de um sargento, e um médico residente, jovem ainda. Naquele dia, ele veio acompanhado da noiva, uma moça loira. O casamento seria em breve.

O professor era um homem de rosto nobre e olhar melancólico. Dava a impressão de ter sofrido muito no passado. Relacionava os conceitos estudados aos dramas da vida diária das pessoas. Sua palavra era confiável. Não falava muito de seus conceitos. Lia constantemente a Bíblia e permitiaque os participantes tirassem as próprias conclusões. A família anfitriã sentia-se feliz em receber o grupo.

O tema era aguardado com muito interesse por todos. Na semana anterior, a filha mais velha do coronel havia perguntado:

– O que pode nos dizer da Igreja Adventista? Existem tantas igrejas no mundo e todas fundamentam seus ensinamentos na Bíblia.

– Pelo menos, todas afirmam isso – completou o coronel, olhando fixamente para o professor.

Naquele dia, a hora estava muito avançada e não houve tempo para uma resposta completa. Por isso, todos aguardavam o que o professor tinha a dizer.

– Poderiam abrir a Bíblia? Hoje estudaremos um período profético anunciado mais de 500 anos antes do nascimento de Jesus. Essa profecia apresenta a data do batismo e da morte de Jesus, e também o momento em que Deus levantaria um povo para anunciar o evangelho a todo o mundo. Tem sido chamada “a pedra angular das profecias” porque coloca no devido lugar todas as outras. Sem dúvida, essa é a maior profecia em que aparecem aspectos relacionados ao tempo. Muitos cristãos sequer sabem de sua existência.

– Que profecia é essa? – inquiriu ansiosa a noiva do médico.

– Está registrada em Daniel 8:14: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.”

Todos se entreolharam, como se não tivessem entendido nada. O professor continuou:

– Para entender essa profecia, precisamos saber que, nos versículos anteriores, menciona-se um poder religioso que persegue os seguidores de Jesus e tenta desvirtuar as verdades da Bíblia. A partir da visão desse poder, surge a pergunta: “Até quando durará a visão do sacrifício diário e da transgressão assoladora, visão na qual é entregue o santuário e o exército, a fim de serem pisados?” (Daniel 8:13). E a resposta vem no verso 14: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado”.

– Desculpe, professor, mas eu não consigo acompanhar seu pensamento. A minha pergunta é com relação à Igreja Adventista – insistiu a filha do coronel.

O professor não se incomodou com a pergunta e respondeu:

– Não se preocupe. Nem o próprio Daniel entendeu no momento da visão. Ele, inclusive, adoeceu em virtude do que tinha visto: “Eu, Daniel, enfraquecie estive enfermo alguns dias; então, me levantei e tratei dos negócios do rei. Espantava-me com a visão, e não havia quem a entendesse” (Daniel 8:27).

– Se ele não conseguiu entender, como a entenderemos? – perguntou o sargento.

– Tenha paciência, sargento. O relato diz: “Ouvi uma voz de homem de entre as margens do Ulai, a qual gritou e disse: Gabriel, dá a entender a este a visão. Veio, pois, para perto donde eu estava; ao chegar ele, fiquei amedrontado e prostrei-me com o rosto em terra; mas ele me disse: Entende, filho do homem, pois esta visão se refere ao tempo do fim” (Daniel 8:16, 17).

– Quer dizer que essa profecia refere-se ao tempo do fim? – desejou saber o médico.

– Sim, o fim da profecia. Mas, para entender corretamente, continuemos lendo o relato bíblico: “Falava eu, digo, falava ainda na oração, quando o homem Gabriel, que eu tinha observado na minha visão ao princípio, veio rapidamente, voando, e me tocou à hora do sacrifício da tarde. Ele queria instruir-me, falou comigo e disse: Daniel, agora, saí para fazer-te entendero sentido. No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a coisa e entende a visão” (Daniel 9:21-23). Vocês percebem que Daniel estava orando quando o anjo Gabriel se apresentou de novo e disse que tinha vindo para explicar-lhe a visão?

– A visão das 2.300 tardes e manhãs? – perguntou o grupo quase em uníssono.

– Sim. Era a única visão que não tinha sido entendida por Daniel. E Gabriel explicou-lhe: “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos santos” (Daniel 9:24). O anjo disse a Daniel que 70 semanas daquele período de 2.300 dias estavam destinadas ao povo de Daniel, ou seja, os judeus. Deus estava lhes dando 70 semanas para que se arrependessem e se tornassem um povo fiel.

– Estou um tanto confuso. Esse período profético é constituído de semanas, ou dias, ou tardes e manhãs? – quis saber o coronel, como sempre enérgico.

– No estudo profético, um dia simboliza um ano. Isso é bíblico. Veja, por exemplo, o que diz aqui: “Quando tiveres cumprido estes dias, deitar-te-ás sobre o teu lado direito e levarás sobre ti a iniquidade da casa de Judá. Quarenta dias te dei, cada dia por um ano. Voltarás, pois, o rosto para o cerco de Jerusalém, com o teu braço descoberto, e profetizarás contra ela” (Ezequiel 4:6, 7, itálico acrescentado).

– Interessante. Sempre é assim? – perguntou a noiva do médico.

– Em se tratando de profecia, sempre. Veja outro texto: “Segundo o número dos dias em que espiastes a terra, quarenta dias, cada dia representando um ano, levareis sobre vós as vossas iniquidades quarenta anos e tereis experiência do Meu desagrado” (Números 14:34). O mesmo princípio de interpretação se aplica à profecia de Daniel. Não resta dúvida, ao ver o cumprimento exatodos acontecimentos anunciados. Portanto, os 2.300 dias representam 2.300 anos e as 70 semanas são iguais a 490 anos. Ambos os períodos proféticos têm o mesmo ponto de partida, porque as 70 semanas fazem parte dos 2.300 anos.

– Sim, até aqui é compreensível; mas quando começa esse período profético? – foi a pergunta da esposa do coronel, uma senhora distinta que, na maioria das vezes, preferia ficar em silêncio.

– O anjo Gabriel respondeu à sua pergunta: “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos” (Daniel 9:25). Esse período profético teve início na mesma data em que se emitiu o decreto para reedificar Jerusalém. O decreto foi emitido por Artaxerxes, rei da Pérsia, no ano 457 a.C. É um fato histórico registrado nos capítulos 6 e 7 de Esdras.

Um brilho especial refletia no olhar de todos os participantes. É admirável como a Bíblia se explica sozinha! Tudo que o ser humano precisa fazer é abri-la e estudá-la com humildade e fé. Entusiasmado, o jovem médico perguntou:

– No verso que você acabou de ler são mencionadas 7 semanas e 62 semanas. A que se refere isso?

– Se somarmos os dias de 7 semanas mais 62 semanas, teremos 483 dias proféticos, ou seja, anos. Isso significa que esses 483 anos, começando no ano 457 a.C. com o decreto de Artaxerxes, levam-nos até o tempo de Jesus Cristo, isto é, no ano 27 d.C., justamente o ano em que Ele foi batizado e ungido pelo Espírito para iniciar Seu ministério. O surpreendente de tudo isso é que essa profecia foi dada a Daniel mais de 500 anos antes que se cumprisse. Pensem na exatidão dos anúncios divinos!

– Admirável! – exclamou o coronel.

– Mas não fica por aí.

– É mesmo? – disseram praticamente todos, com expectativa.

– Sim. Continuemos lendo: “Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador; até a destruição determinada, que está determinada, se derrame sobre ele” (Daniel 9:27).

– O que significa “fará cessar o sacrifício”? – indagou novamente a esposa do coronel.

– Os 483 anos nos levam até o ano 27 d.C., quando Jesus iniciou Seu ministério. Mas o verso 27, que acabamos de ler, menciona a última semana, ou seja, 7 anos mais. Naqueles últimos 7 anos, os judeus tiveram a oportunidade de se arrepender e se volver a Deus. No entanto, eles rejeitaram Jesus, que morreu três anos e meio depois de 27 d.C., no ano 31. Mais uma vez, a profecia se cumpriu com exatidão. Daniel disse que, naquele ano, Jesus faria cessar o sacrifício. E o fez, ao morrer como o grande sacrifício pelos pecados da humanidade. A partir de então, já não seria mais necessário sacrificar animais.

– Isso é admirável! – quase gritou, um dos filhos do coronel.

– Sim, é admirável. E Mateus confirmou isso: “E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito. Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas” (Mateus 27:50, 51).

O coronel completou:

– O véu do templo se rasgou porque já não era mais necessário o sacrifício de animais. Jesus era aquele sacrifício para quem apontavam todos os sacrifícios.

Todos olharam para o coronel com um ar de admiração. Era um homem duro. No início dos estudos, criara muitas dificuldades com suas perguntas, mas com o tempo tornou-se um aluno brilhante.

– E os outros três anos e meio? A profecia fala de uma semana profética inteira, mas Jesus foi sacrificado na metade dela. O que aconteceu no fim daquela semana? – perguntou o médico.

– Essa pergunta é oportuna. O anjo Gabriel tinha dito que 70 semanas (ou seja, 490 anos) estavam separadas para o povo de Daniel, os judeus. Esse tempo acabou justamente no fim daquela semana, no ano 34 d.C.

– O que aconteceu naquela data?

– Estêvão, um dos líderes cristãos, foi apedrejado e com essa atitude o povo de Israel desperdiçou tristemente a oportunidade de aceitar o Messias.Naquele momento, chegaram ao fim as 70 semanas de oportunidade que eles tiveram. A partir daquela data, o povo de Israel, como nação, deixou de ser o povo escolhido de Deus. Hoje, se um judeu deseja ser salvo, precisa aceitar Jesus como qualquer outra pessoa.

Todos os participantes do grupo pareciam surpreendidos. Apesar do interesse que todos mostravam no estudo, a noite já estava muito avançada e o professor disse:

– Amanhã continuaremos com este estudo. Até aqui, vimos os 490 anos separados para o povo de Daniel. Esse período termina no ano 34 d.C. Mas, se continuarmos contando os 2.300 anos da profecia a partir de 457 a.C., quando teve início, chegaremos ao ano 1844. Amanhã veremos o que aconteceu nessa data.

Enquanto retornavam para casa, a filha do coronel comentou:

– Pai, tudo é muito interessante e admirável, mas você percebeu que o professor não respondeu à minha pergunta?

– Que pergunta?

– A que fiz no começo. Existem tantas igrejas no mundo. O que ele tem a falar sobre a Igreja Adventista?

– Bom, tenha paciência. O estudo continua amanhã, não continua?

Na noite seguinte, choveu intensamente. Relâmpagos rasgavam a escuridão como setas de fogo. Apesar das inclemências do tempo, ali estavam todos reunidos outra vez. O coronel foi acompanhado de um vizinho que também abrigava inquietudes espirituais. O professor começou dizendo:

– Ontem estudamos a profecia dos 2.300 anos. “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado” (Daniel 8:14), diz a profecia. Contando os anos a partir do decreto de Artaxerxes para reconstruir Jerusalém, essa profecia terminou em 1844.

– Como poderia o santuário ser purificado em 1844, se naquele tempo já não existia mais santuário? – desejou saber a noiva do médico.

– Para entender isso precisamos saber por que existia o santuário nos tempos de Israel. A Bíblia diz: “Quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão” (Hebreus 9:22).

– Por que sangue? – indagou o sargento.

– Paulo diz: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6:23).

– E...? – questionaram todos.

– Sendo que o salário do pecado é a morte, só pode haver perdão para o ser humano mediante o sacrifício de Cristo. Por isso, Deus estabeleceu o sistema de sacrifícios. O povo precisava entender que não existe remissão de pecados sem derramamento de sangue.

– O sangue de Cristo – afirmou o coronel.

– Sim, o sangue de Cristo. O sacrifício dos animais, no Antigo Testamento, era apenas um símbolo do sacrifício de Cristo na cruz do Calvário.

– Isso está na Bíblia? – perguntou a esposa do sargento.

– Sim, veja o que diz aqui: “No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29). Jesus era o verdadeiro Cordeiro, simbolizado por todos os animais que Israel sacrificava. Deus tinha deixado instruções precisas para o cerimonial dos sacrifícios. Cada manhã e cada tarde o povo se apresentava no santuário para oferecer sacrifícios por seus pecados. Porém, todos esses animais simbolizavam Jesus, o Cordeiro de Deus que um dia seria sacrificado na cruz do Calvário.

– O santuário era o lugar desses sacrifícios diários que o povo oferecia a Deus para o perdão de seus pecados? – questionou o médico.

– Sim, todos os dias se ofereciam sacrifícios no santuário, mas uma vez por ano sucedia algo diferente.

– Como assim, diferente? – perguntou a esposa do sargento. Os olhos refletiam o brilho de quem desejava aprender.

– Deus tinha ordenado a Israel o seguinte: “Isso vos será por estatuto perpétuo: no sétimo mês, aos dez dias do mês, afligireis a vossa alma e nenhuma obra fareis, nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vós. Porque, naquele dia, se fará expiação por vós, para purificar-vos; e sereis purificados de todos os vossos pecados, perante o Senhor” (Levítico 16:29, 30).

– Acho que percebo a ideia. Aqui se fala da purificação do santuário – comentou o coronel.

– Exatamente respondeu o professor. – O santuário na Terra era purificado uma vez por ano, e esse dia era um dia de julgamento e contrição. Veja: “Mas, aos dez deste mês sétimo, será o Dia da Expiação; tereis santa convocação e afligireis a vossa alma; trareis oferta queimada ao Senhor” (Levítico 23:27). Naquele dia, convocava-se o povo para “afligir a alma”, ou seja, fazer um autoexame de consciência, a fim de saber se alguém tinha pecados escondidos ou alguma outra coisa que o afastasse de Deus.

– Todos faziam isso? – quis saber o médico.

– Sim, todos. Mas esse era também um dia de juízo para o povo. Por meio do sangue, a pessoa recebia o perdão e, simbolicamente, sua culpa era transferida para o santuário. Porém, se o pecador não confessasse o pecado, a culpa permaneceria com ele.

– Quer dizer que nesse dia os pecados confessados eram transferidos para o santuário? – inquiriu o coronel.

– Sim, o santuário, simbolicamente, levava os pecados do povo a partir dali e, no Dia da Expiação, o santuário era purificado.

– O senhor quer dizer que a profecia dos 2.300 anos indica que no fim também haverá um juízo e a purificação do santuário? – perguntou enfaticamente a noiva do médico.

– A profecia diz que “o santuário será purificado” e, se o santuário da Terra era purificado no dia da expiação e do juízo de Israel, a mesma coisa acontecerá com o santuário celestial.

– Existe um santuário no Céu?

– É o que a Bíblia diz. No fim do período dos 2.300 anos, Jesus iniciou Seu trabalho de juízo e intercessão no santuário celestial. “Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que se acham nos Céus se purificassem com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios a eles superiores. Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo Céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus; nem ainda para Se oferecer a Si mesmo muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no Santo dos Santos com sangue alheio. Ora, neste caso, seria necessário que Ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, Se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de Si mesmo, o pecado” (Hebreus 9:23-26). O que vocês acham?

– É impressionante saber que no Céu existe um santuário e que Jesus ministra nesse santuário – respondeu o médico, olhando a Bíblia que estava nas próprias mãos.

– Mais impressionante ainda é saber que Jesus entrou nesse santuário para expiar nossos pecados – completou sua noiva.

– E essa expiação começou no ano 1844? – perguntou a filha do coronel.

– Sim – respondeu o professor. – A profecia diz: “Até duas mil trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.” Esses 2.300 anos terminaram em 1844 e nesse dia começou o juízo das nações. Daniel acrescenta: “Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de Dias Se assentou; Sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a pura lã; o Seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente. Um rio de fogo manava e saía de diante dEle; milhares de milhares O serviam, e miríades de miríades estavam diante dEle; assentou-se o tribunal, e se abriram os livros” (Daniel 7:9, 10).

– Eu pensava que o juízo seria o retorno de Jesus ao mundo – comentou o sargento.

– O dia do retorno de Jesus é o dia da recompensa: “Eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras” (Apocalipse 22:12). Jesus não poderia dar a recompensa se primeiro não se determinasse quem a merece. Isso sugere um juízo antes de Sua segunda vinda.

– E esse juízo, de acordo com a profecia, teve início em 1844?

– Exatamente. Esse foi um dos eventos especiais que aconteceram nessa data. No Céu, Deus começou o juízo investigativo, mas na Terra aconteceu outro evento significativo.

– Qual?

– Deus levantou um povo para anunciar a mensagem do juízo dentro do marco do evangelho eterno: “Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a Terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo; e adorai Aquele que fez o Céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas” (Apocalipse 14:6, 7).

– Essa é a Igreja Adventista? – perguntou a esposa do coronel.

– A Igreja Adventista apareceu exatamente nessa data. No início, nos Estados Unidos; porém, com o tempo foi se expandindo até se organizar como igreja em 1863. Hoje está estabelecida em 203 países e prega em 738 idiomas.

– Por que o senhor acha que a Igreja Adventista está descrita no texto que acaba de ler?

– Por várias razões. A primeira é que o movimento adventista surge no fim do tempo previsto pela profecia que estudamos. Segundo, porque aparece para pregar o evangelho eterno. Não é um novo evangelho. É o único evangelho eterno que se encontra tanto no Antigo quanto no Novo testamento. Não é o evangelho que enfatiza só um aspecto, mas que ressalta tanto a causa, que é a graça, quanto o resultado, que é a obediência aos eternos princípios da Lei de Deus.

– Do que você está falando especificamente? – desejou conhecer o sargento.

– Apocalipse 12 apresenta as características da igreja de Deus, simbolizada pela mulher vestida de branco. Ali se diz: “Irou-se o dragão contra a mulher e foi pelejar com os restantes da sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Apocalipse 12:17). A Igreja Adventista tem como centro de sua mensagem a salvação pela graça de Jesus, mas ao mesmo tempo acredita na obediência à Lei de Deus. Não como causa de salvação, mas como resultado dela.

O relógio de parede indicava quase meia-noite. Tinha sido uma longa jornada. Havia um nó na garganta de muitos. O silêncio quase pesava, quando o coronel falou:

– Professor, acho que esses dois últimos estudos são matéria para pensar seriamente. Esse não é simplesmente um assunto de igreja. É assunto de vida eterna. Agradeço muito ao senhor a paciência em nos responder às perguntas.

O jovem médico segurava a mão da noiva, emocionado, e antes de sair disse:

– Obrigado!

Todos sabemos o que devem fazer. Todos sentimos o Espírito Santo trabalhando no coração.

O tempo dirá os resultados. Eles sabem que hoje é o dia de boa-nova. Hoje é o dia de decisão.

Caminho de Esperança

Conheça melhor as características do povo de Deus.
  1. O povo de Deus aguarda ansiosamente a segunda vinda de Jesus. João 14:1-3
  2. É essencial conhecer e aceitar a vontade de Deus. João 7:17
  3. A igreja de Deus é portadora de verdades fundamentais. 1 Timóteo 3:15
  4. Curas, milagres e prodígios não provam que uma igreja seja verdadeira. Mateus 7:21-23
  5. O inimigo de Deus popularizou erros doutrinários. Daniel 8:11, 12
  6. Pela fé, podemos guardar os mandamentos de Deus. Apocalipse 12:17
  7. O povo eleito proclama verdades esquecidas e impopulares. Apocalipse 14:6-12
  8. Os fiéis são convidados a proclamar as verdades restauradas. Apocalipse 18:4
  9. Devemos discernir as marcas da religião corrompida no tempo do fim. Apocalipse 17:1-5
  10. Deus nos convida a aceitar o selo da esperança. Marcos 16:16